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Lá está a garota, sozinha no canto do quarto chorando como se não tivesse mais chão e com seus pulsos sangrando. Todo dia ela se perguntava porque fazer aquilo, pois nem ela sabia a sensação. Suava, chorava, gritava, doia, mas oque era aquilo ? Oque um corte poderia fazer com uma adolescente de quatorze anos ? Ana não sabia mas não se importava, acho que a sensação de ver o sangue escorrer, de ver que as lágrimas não eram por ele e sim por ela mesma eram algo para ela. Ninguém entendia, ninguém ouvia, para todos ela era louca, sem escrúpulos, mas para ela mesma o que fazia era mais do que certo. A sociedade a magoava tanto, a destruia então qual o problema dela continuar a se destruir ? A dor física parece algo merecedor naquele momento. Ana desesperada vendo que o sangue era muito mais do que uma gota de lágrima se tranca no banheiro, único esconderijo mais próximo. Será que não iria parar ? Será que aquilo era só o começo de sua morte ? Ana se odiava, mas tenho certeza de que não queria morrer, não agora. Pegou a primeira toalha que achou e tentou fazer aquilo tudo parar, mas não conseguia, parecia que não tinha outra escapatoria. Saiu do seu quarto correndo e chorando, chamava ajuda mais todos tinham acabado de sair de casa, Ana se esqueceu que ninguém nunca está em casa, por isso achava que ninguém se importava com ela. Então aquele corte sangrou e sangrou e sangrou até que ela não conseguia mais chorar, nem ficar em pé. Ana deitou-se na cama e esperou, talvez depois daquilo alguém saberia o que ela realmente era. Ela não queria ser mais a menina que fazia piada de si mesma e não se importava com oque todos a julgavam, naquele momento Ana era a menina sem futuro, era a menina sem vida, naquele momento Ana não era mais nada. (silêncio-da-madrugada)